Governo Lula vê lobby de big techs e bandeiras de cartões por trás da pressão dos EUA contra o PIX
Aliados e integrantes do governo Lula acreditam que o lobby de empresas de cartões de crédito e big techs está por trás da pressão dos Estados Unidos contra o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central e amplamente adotado pelos brasileiros.
A investigação foi aberta durante o governo de Donald Trump, por meio do USTR (Escritório do Representante do Comércio dos EUA), e inclui o Pix como possível prática desleal por parte do Brasil em relação a serviços de pagamento eletrônico.
Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, membros do governo brasileiro veem com clareza os interesses econômicos na ofensiva americana e preparam uma estratégia de defesa firme do Pix, apostando no apoio popular, já que o sistema é usado por mais de 150 milhões de brasileiros e revolucionou a forma de transferir dinheiro no país.
Impacto no mercado e resistência estrangeira
A rapidez da adoção do Pix reduziu a dependência da população de cartões de crédito e débito – conhecidos como “plásticos” no mercado – afetando diretamente os negócios de bandeiras como Visa e Mastercard. A iniciativa brasileira também confrontou interesses de big techs como a Meta, que havia apostado alto em soluções como o WhatsApp Pay, lançadas com atraso após a chegada do Pix.
O governo brasileiro entende que há pressão internacional para que o sistema seja privatizado, o que comprometeria sua natureza pública e inclusiva. Essa suspeita ganhou força após o Banco Central ter ampliado o escopo do Pix com funcionalidades como Pix Garantia, Pix Parcelado e o futuro Pix Automático, o que aumentou ainda mais o incômodo de setores privados que disputam espaço no mercado de pagamentos.
Menos dependência do dólar
Outro ponto sensível aos EUA é o plano do governo Lula de reduzir a dependência da moeda americana nas transações internacionais. O Brasil já vem trabalhando com mecanismos de pagamentos diretos com países como a China, o que enfraquece o papel do dólar como intermediador.
Além disso, o Banco Central brasileiro abriu o código do Pix a bancos centrais de outros países, promovendo uma espécie de “exportação” do modelo brasileiro de pagamentos. A Colômbia, por exemplo, já aderiu ao sistema com base na experiência brasileira.
Reações do setor privado
Em resposta às suspeitas levantadas, a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) afirmou em nota:
“A Abecs tomou conhecimento e está avaliando e acompanhando, juntamente aos seus associados, os desdobramentos do tema com atenção dentro de sua esfera de atuação”.
A Meta e o Banco Central do Brasil foram procurados, mas preferiram não comentar.
Contexto
A ofensiva comercial americana inclui ainda críticas ao Brasil por supostas práticas desleais em comércio eletrônico, pirataria, tarifas preferenciais, desmatamento ilegal e acesso ao mercado de etanol. O relatório do USTR também menciona a 25 de Março, em São Paulo, como um dos principais polos de produtos falsificados do mundo.
Fonte: Voz da Bahia/Foto: stock.xchng






