Governo Lula avalia fundo emergencial para setores afetados por tarifaço de Trump
O governo federal discute a criação de um fundo emergencial para oferecer crédito a empresas brasileiras afetadas pela tarifa de 50% sobre produtos nacionais, imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A medida, em fase de elaboração, deverá ser instituída por meio de uma Medida Provisória (MP) e será temporária.
O fundo será capitalizado com recursos do Tesouro Nacional via crédito extraordinário, que permite despesa fora do limite fiscal previsto pelo arcabouço, sem afetar a meta de resultado primário. A ideia é oferecer capital de giro a companhias que tiveram perdas com a queda nas exportações para os EUA, até que se reorganizem no novo cenário.
Ainda não há definição sobre os valores nem sobre a taxa de juros da linha. As condições serão submetidas ao Conselho Monetário Nacional (CMN), formado pelos ministros da Fazenda, do Planejamento e pelo presidente do Banco Central. Caso a taxa seja inferior à Selic, atualmente em 15% ao ano, o governo terá de arcar com um subsídio implícito.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) deverá apresentar a proposta inicial. A pasta tem promovido reuniões com representantes de segmentos como siderurgia, frutas, pescados e grãos, que já enfrentam impactos da medida norte-americana.
Segundo fontes do governo, o acesso à linha de crédito poderá ser definido por setor ou empresa, a depender do grau de exposição ao mercado dos EUA. Empresas que comprovarem queda de receita causada pela sobretaxa devem ser priorizadas.
A expectativa é que o plano esteja pronto antes da entrada em vigor das tarifas, marcada para 1º de agosto. O governo busca se antecipar à medida e evitar paralisação econômica em setores fortemente dependentes das exportações para os EUA.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista à rádio CBN nesta segunda-feira (21) que o governo prepara um conjunto de medidas para mitigar os efeitos da decisão americana. Segundo Haddad, as negociações com os Estados Unidos ainda não avançaram, e duas cartas enviadas pelo Brasil a Washington não obtiveram resposta.
Além da linha de crédito, o governo estuda oferecer apoio técnico para que empresas busquem novos mercados internacionais, embora reconheça que esse processo tende a ser mais lento. A estratégia está sendo discutida por um grupo técnico coordenado pelo vice-presidente e ministro do Mdic, Geraldo Alckmin.
Nos bastidores, integrantes do governo admitem dificuldades para negociar com a gestão Trump e reconhecem a pressão crescente de setores produtivos, que demonstram insatisfação com a demora nas ações e com a condução política do processo.
Fonte: Voz da Bahia







