Veja a lista de emendas parlamentares indicadas irregularmente por Valdemar, segundo a PF

A Polícia Federal identificou ao menos 21 emendas parlamentares destinadas de maneira irregular pelo presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto. Deste total, que somados chegam a cerca de R$ 119 milhões, 11 são para cidades paulistanas. Juntas, elas somam cerca de R$ 119 milhões, sendo que 11 foram destinadas a municípios paulistas. Além de São Paulo, cidades do Paraná, Bahia, Rio de Janeiro e Pará também foram citadas.

Conforme a tabela anexada à decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a suspensão das emendas, os recursos foram destinados a 17 municípios, entre eles Mogi das Cruzes, cidade natal e berço político de Valdemar. Segundo a PF, R$ 3 milhões foram encaminhados ao município em novembro de 2025.

Segundo o portal da Câmara, Valdemar foi chefe de gabinete na prefeitura em 1977, Secretário de Estado na Secretaria Municipal de Obras, Viação e Serviços Urbanos, no mesmo ano até 1980; e diretor presidente, Cia. de Desenvolvimento de Mogi das Cruzes, entre 1980  e 1983. 

Outros municípios tiveram repasses mais de uma vez, como o caso de Suzano, no valor de R$ 26.835.199, em junho de 2024. Para Caraguatatuba, foram feitos dois no mesmo mês, que somam R$ 23 milhões. Já Santa Fé do Sul havia três destinações, no total de R$ 9.575.004,15, em dezembro de 2024. 

Veja a lista completa

Mogi das Cruzes (SP) – R$ 3 milhões da comissão de saúde em novembro de 2025;

Guaimbé (SP) – R$ 280 mil da comissão de turismo em dezembro de 2025;

Macedônia (SP) – R$ 220 mil da comissão de turismo em dezembro de 2025;

Cafelândia (PR) – R$ 290 mil da comissão de turismo em março de 2026;

Iepê (SP) – R$ 500 mil da comissão de turismo em dezembro de 2025;

Ilha Solteira (SP) – R$ 220 mil da comissão de turismo em dezembro de 2025;

Morro do Chapéu (BA) – R$ 4,7 milhões da comissão de cidades em dezembro de 2024;

Santa Fé do Sul (SP) – R$ 9,5 da comissão de turismo em dezembro de 2024;

Itaguaçu da Bahia (BA) – R$ 2,3 da comissão de turismo em dezembro de 2025;

Suzano (SP) –  R$ 26,8 milhões da comissão de saúde em junho de 2024;

Ubatuba (SP) – 7 milhões da comissão da saúde em julho de 2024;

Rio de Janeiro (RJ) – R$ 6 milhões da comissão da saúde em julho de 2024;

Bebedouro (SP) – R$ 9 milhões da comissão da saúde em junho de 2024;

Caraguatatuba – R$ 23 milhões da comissão da saúde em junho de 2024;

Porto Seguro (BA) – R$ 24,9 milhões da comissão da saúde em junho de 2024;

Presidente Venceslau (SP) – R$ 220 mil da comissão de turismo em outubro de 2025;

Dom Eliseu (PA) – R$ 300 mil da comissão de turismo em outubro de 2025.

De todo esse montante, apenas R$ 104 milhões já teriam sido pagos. 

Como a PF chegou a Valdemar?
A descoberta desses valores é um desdobramento da primeira fase da Operação Transparência, realizada em dezembro do ano passado, na qual Mariângela Fialek, ex-assessora de Lira, era um dos alvos. Com isso, Dino determinou a suspensão dos recursos públicos ligados à suposta atuação do presidente do PL, além da indisponibilidade de bens.

Conforme a decisão, à qual o Terra teve acesso, a PF encontrou nos celulares de Mariângela diálogos que figuravam a “existência de um arranjo funcional informal envolvendo servidores distribuídos em setores da Câmara dos Deputados”, com planilhas e pedidos de ajustes nos destinos e áreas das emendas.  

As mensagens citam abertamente tratativas em nome de Valdemar — ou ‘VCN’, como era tratado –, determinando que os montantes máximos fossem alocados em comissões do Turismo e da Saúde. 

“Em ao menos um momento, menciona que tais indicações estariam amparadas por promessa de valores oriundos da cota da Mesa Diretora, o que indicaria articulação em nível superior das estruturas formais da Casa”, aponta o ministro.

Uma planilha anexada à investigação demonstra que essas emendas, somadas, totalizam cerca de R$ 119,9 milhões. 

A suspensão imediata das emendas ligadas ao suposto desvio, sejam elas ainda em empenho, liquidação ou pagamento, conforme Dino, é para a “proteção ao patrimônio público, à moralidade administrativa e às regras que regem a atividade financeira pública”.

O que diz a defesa de Valdemar
Em nota divulgada nas redes sociais, a defesa de Valdemar Costa Neto afirmou que recebeu com “surpresa” a decisão do ministro Flávio Dino, e que ela parte de “premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária”. 

Além disso, os advogados Marcelo Bessa e Thiago Fleury apontam que o presidente do PL nega categoricamente a prática de qualquer crime, pois “não há prova, ou mesmo indício” de que ele tenha aderido conscientemente a um suposto esquema criminoso. 

“É natural e legítimo, no sistema democrático, que um presidente partidário dialogue com parlamentares, defenda prioridades programáticas, articule interesses nacionais e regionais e influencie politicamente na bancada”. 

A reportagem não localizou até o momento a defesa dos demais citados na investigação.  

Fonte: Portal Terra-Foto: Alex Silva/Estadão / Estadão

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