Opinião: Espanha vence Copa com campanha de almanaque, e Argentina dos dramas perde último tango de Messi

A Espanha fez uma campanha de almanaque na Copa do Mundo e conquistou neste domingo, 19, o bicampeonato mundial. O título, 16 anos depois da primeira taça, veio em uma final duríssima contra a Argentina, que dançou todos os tangos possíveis ao longo da Copa nos Estados Unidos, mas falhou no último passo de dança que faltava.

A Espanha nunca esteve fora do páreo das favoritas. Já se sabia, desde o sorteio de dezembro do ano passado, que o provável chaveamento com a França na semifinal – que acabou se confirmando – seria uma decisão antecipada. Mas foi ficando de lado, parecendo um patinho feio depois daquele empate sem gols com Cabo Verde na estreia.

Mas a cada jogo, uma seleção mais forte se via em campo. Yamal, o astro de “aura”, deu espaço para um time de jogo coletivamente perfeito, com meio-campo robusto comandado por Rodri, laterais insinuantes, como Cucurella, e um atacante que muita gente nem sabia quem era, Oyarzabal, da pequena Real Sociedad, que fez mais gols do que Cristiano Ronaldo e Vini Jr., só para citar alguns.

A Fúria passou pela sempre difícil Bélgica e depois fez o que foi considerada a melhor atuação de um time nesta Copa, na vitória sobre a toda poderosa França.

A Espanha campeã tem em Luis de La Fuente o técnico mais velho a ser vencedor em um Mundial, mas ele não chegou lá à toa. Dirigiu as categorias de base da Fúria e comandou um processo de quase uma década rumo ao bicampeonato.

Do outro lado, Messi carregou a Argentina nas costas durante toda a Copa. Fez mais gols, deu mais assistências, mais passes, foi líder de todos os critérios ofensivos de sua seleção. Levou a Argentina até sua segunda final consecutiva. Mas se em 2022 tinha Di Maria, dessa vez não pôde contar com Julian Alvarez, que deixa a Copa com apenas 1 gol marcado.

A Argentina grandiosa de Messi foi longe, empurrada por seu craque, pelo bom técnico Lionel Scaloni e por uma torcida apaixonada, responsável por não deixar o time 1 minuto sequer abandonado e fazer tremer os estádios dos jogos dramáticos contra Cabo Verde, Egito e Inglaterra. Deu gosto de ver (e inveja, claro).

Mas quando se falar da Fúria campeã de 2026, não se falará de suas estrelas, pragmatismo ou superação. Falaremos de sua coletividade, amadurecimento e construção. Da Argentina sempre falaremos de Messi. Ele é enorme, mas apenas 1.

Fonte: Porta Terra-Foto: Kevin C. Cox/Getty Images

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