TSE não encontra publicações denunciadas por Flávio Bolsonaro em canal de WhatsApp ‘Exército de Lula’
O relatório foi elaborado pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) por determinação do presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques. A apuração ocorreu após uma disputa judicial sobre a continuidade do funcionamento do canal.
Relatório não encontrou as publicações denunciadas
Segundo o documento, a equipe analisou mensagens de texto, prévias de links, títulos e miniaturas de vídeos, além de áudios transcritos. Nesse material, os investigadores não encontraram reproduções das afirmações questionadas pela campanha de Flávio.
Entre os conteúdos citados no processo estavam alegações de que o senador pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, reduzir aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de cancelar o reajuste do Bolsa Família.
A campanha também mencionou supostas ligações de Flávio com milícias no Rio de Janeiro. No entanto, o relatório ressalvou que algumas publicações apontadas pela defesa teriam circulado em setembro, fora do período analisado. Por isso, a equipe não descartou a possibilidade de que esses conteúdos tenham sido editados ou apagados antes da verificação.
TSE aponta indícios de mobilização coordenada
Apesar de não encontrar as publicações denunciadas no intervalo examinado, o relatório identificou elementos de coordenação na atuação do canal. De acordo com o documento, o grupo utilizava instruções chamadas de “missões” diárias para orientar seguidores a ampliar a circulação de conteúdos no WhatsApp e em outras plataformas digitais.
A análise também registrou que o canal passou de aproximadamente 55 mil inscritos para 3,3 milhões de seguidores durante seis dias de mobilização. Além disso, o parecer identificou o uso recorrente de linguagem militar e polarizadora nas mensagens internas. O documento, contudo, não concluiu que essas práticas fossem, por si só, ilegais. A investigação deverá subsidiar a Presidência do TSE na avaliação de possíveis novas medidas relacionadas ao canal.
Entenda a disputa judicial sobre o canal
A disputa começou em 7 de outubro, quando a campanha de Flávio Bolsonaro apresentou uma ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) ao TSE. A candidatura alegou que o canal divulgava conteúdos falsos e orientava seguidores a impulsionar publicações consideradas ofensivas. No sábado (10), o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, concedeu 72 horas para que a campanha apresentasse esclarecimentos adicionais sobre as medidas solicitadas.
No domingo (11), Nunes Marques acolheu o pedido de suspensão do canal e determinou que a Meta o desativasse em até três horas, mantendo a suspensão até a homologação do resultado das eleições de 2026, conforme os termos da decisão. Horas depois, Cueva determinou o restabelecimento provisório do canal. Mesmo com a reversão da suspensão, Nunes Marques manteve a determinação para que a AEED investigasse a atuação do grupo.
Na decisão inicial, o presidente do TSE afirmou que a mobilização digital de eleitores é permitida, mas não pode servir à disseminação coordenada de informações sabidamente falsas contra candidatos.
Campanha de Flávio, Lula e Janones reagem
Em nota, a campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que as ações apresentadas à Presidência e à Corregedoria da Justiça Eleitoral continham argumentos distintos. A equipe também criticou decisões que, em sua avaliação, demonstrariam complacência com a disseminação de notícias falsas favoráveis a Lula. O presidente, por sua vez, criticou a suspensão do canal. Segundo a comunicação do PT, Lula classificou a decisão como um “absurdo” e afirmou que seus advogados buscariam esclarecimentos sobre o que considerou decisões tendenciosas contra sua candidatura.
André Janones comemorou o restabelecimento do canal nas redes sociais. O deputado afirmou que o grupo ganhou cerca de 500 mil novos seguidores após a tentativa de suspensão e incentivou a entrada de novos participantes.
Investigação ainda pode embasar novas decisões
O relatório preliminar diferencia duas questões: a presença das publicações específicas denunciadas pela campanha de Flávio e a existência de mecanismos coordenados de mobilização digital. Embora a análise não tenha encontrado as mensagens questionadas no período examinado, o documento apontou indícios de organização centralizada e linguagem polarizadora.
Dessa forma, o resultado da investigação não representa uma conclusão definitiva sobre todas as acusações apresentadas no processo. A Presidência do TSE poderá considerar as informações do relatório em futuras decisões sobre o funcionamento do canal.
Voz da Bahia










