15,8% das mulheres na Bahia chegam ao fim da idade reprodutiva sem ter filhos, diz IBGE

Os resultados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE, reforçam uma tendência já observada por outras pesquisas: as mulheres baianas estão adiando a maternidade, tendo menos filhos, e aumentando a proporção das que chegam ao fim da vida reprodutiva sem nunca terem tido filhos. O principal fator associado a essas mudanças é o maior nível de instrução.

Na Bahia, a taxa de fecundidade total – que representa o número médio de filhos por mulher de 15 a 49 anos – foi de 1,55 em 2022. O índice é menor que o nível de reposição populacional (2,1 filhos por mulher) e igual à média nacional, sendo a 10ª menor entre os estados.

Desde 2000, o indicador apresenta queda expressiva no estado: naquele ano, era de 2,4 filhos por mulher. Em 2010, caiu para 1,7 e, agora, chegou a 1,55. Essa redução está diretamente relacionada ao adiamento do primeiro filho. A idade média das mulheres baianas ao se tornarem mães pela primeira vez aumentou de 26,6 anos (2010) para 27,9 anos (2022).

Mesmo ainda abaixo da média nacional (28,1 anos), a Bahia aparece entre os estados com maior idade média no primeiro parto – 12ª posição –, à frente de regiões como Pará e Maranhão, onde a média é inferior a 27 anos.

Outro dado que chama atenção é o crescimento da proporção de mulheres que chegaram ao final da idade reprodutiva (50 a 59 anos) sem filhos. Em 2022, esse grupo representava 15,8% das mulheres baianas dessa faixa etária, totalizando cerca de 135,4 mil pessoas. Em 2010, o percentual era de 10,9% (68,3 mil mulheres), o que indica quase o dobro em 12 anos. A Bahia registrou a 7ª maior proporção do país.

O Censo ainda apontou que a escolaridade influencia diretamente nos índices de fecundidade e na idade da maternidade. Mulheres com ensino superior completo na Bahia tinham, em média, 1,13 filho – taxa cerca de 60% menor do que entre aquelas sem instrução ou com até o fundamental incompleto (1,97).

A educação também impacta o momento da maternidade: mulheres com ensino superior têm o primeiro filho aos 30,7 anos, em média, quatro anos depois das que têm menor escolaridade (26,8 anos). Essa diferença também foi observada em nível nacional.

Entre 2010 e 2022, a idade média ao ter o primeiro filho aumentou em todas as faixas de escolaridade, com o maior avanço registrado entre as mulheres com menos anos de estudo – um salto de 1,2 ano, passando de 25,6 para 26,8 anos.

Fonte: Voz da Bhia

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