Itapetinga: Tribuna Popular: Afonso Chaguri aborda impactos ambientais e alternativas para convivência com a seca na região de Itapetinga

O espaço da Tribuna Popular, aberto pela Câmara Municipal de Itapetinga durante as sessões ordinárias, foi ocupado, nessa quinta-feira (30), pelo paisagista Afonso Chaguri para abordar questões voltadas à preservação ambiental e alternativas de convivência com a seca.

Ele contou que, desde sua mudança para a cidade do sudoeste baiano em 2001, tem presenciado sérias mudanças relacionadas ao clima e às atividades produtivas. Nesse sentido, vem discutindo esses temas com órgãos públicos, entidades ligadas ao meio rural, professores e universitários.

“Os sete anos do El Niño foram sentidos na pele, trouxeram tristeza e insegurança para a região, com a morte de bovinos e equinos”, disse. De acordo com Afonso, além de animais, várias espécies de insetos, plantas nativas e exóticas tiveram suas populações diminuídas drasticamente.

O paisagista observou que diferentes problemas dificultam a vida na cidade e a produção no campo, entre esses o quadro caótico no fornecimento de água, baixos índices pluviométricos, péssima qualidade do ar, empobrecimento e salinização acentuada do solo, além das queimadas.

 

 Alternativas de convivência com a seca

 

“Perante esse quadro desolador, resolvi soltar meu grito de alerta buscando trazer soluções para a região”, explicou. Ele informou que o país contará no próximo ano com um sistema de monitoramento de florestas por satélite e disse que várias medidas devem ser adotadas em Itapetinga para enfrentar os efeitos da estiagem. Segundo Afonso, uma dessas alternativas, já divulgada pelo gerente municipal de Agropecuária, Luciano Almeida, será o plantio da palma forrageira. Essa planta é a salvação para muitos criadores do Nordeste em época de seca.

Ao citar algumas espécies vegetais que oferecem benefícios diretos e indiretos na pecuária e na agricultura, Afonso apontou o uso dos quebra-ventos e do samaneiro, além de defender a utilização do “Nim” e da moringa como fonte de vitaminas na alimentação animal. O paisagista também sugeriu que a cidade desenvolva um selo de qualidade ambiental para agregar valor à carne, incentivando e apoiando ações que visem à melhoria das condições climáticas, hídrica e econômica.

Conforme Afonso, Itapetinga pode investir ainda no plantio de reflorestáveis de corte para uso na construção civil, indústria moveleira e de mourões. Ele também destacou o uso do hidrogel, produto que ajuda a segurar a água nas raízes das plantas mesmo com a seca.

 

Itapetinga ainda não atende recomendação da OMS que prevê quantidade mínima de área verde por habitante

 

Afonso Chaguri afirmou que as queimadas acontecem por todo o município. “Itapetinga é uma cidade que não corresponde nem a 10 por cento do que a Organização Mundial de Saúde exige de massa verde por habitante”, ponderou.  

Além do desconforto climático intenso, ele disse que há em Itapetinga árvores incompatíveis com o espaço urbano. De acordo com Afonso, essas espécies geram despesas porque exigem podas regulares. Ele chamou a atenção para os efeitos negativos do uso do motosserra e da queima dos galhos e folhas para o meio ambiente

www.itapetinga.ba.leg.br

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