OAB suspende advogadas acusadas de usar texto oculto para manipular IA da Justiça
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Pará suspendeu preventivamente, por 30 dias, as advogadas Cristina Medeiros e Luanna Sousa após a descoberta de um texto oculto inserido em uma petição judicial com o objetivo de influenciar um sistema de inteligência artificial utilizado pela Justiça do Trabalho.
A decisão foi assinada pelo presidente da seccional, Sávio Barreto, e encaminhada ao Tribunal de Ética e Disciplina da entidade. Segundo a OAB-PA, o caso representa risco à imagem institucional da advocacia.
As advogadas atuavam em um escritório especializado em Parauapebas e representavam um trabalhador em uma ação que tramita desde julho de 2025 na 3ª Vara do Trabalho do município.
A irregularidade foi identificada pelo juiz Luis Carlos de Araújo Santos Júnior durante a elaboração da sentença. O magistrado utilizava o sistema Galileu, ferramenta de inteligência artificial adotada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, quando o software detectou um comando escondido no documento.
Segundo o processo, o texto estava escrito em fonte branca sobre fundo branco, tornando-se invisível para leitura humana, mas acessível aos algoritmos do sistema. A mensagem continha uma orientação para que a inteligência artificial analisasse superficialmente a petição e deixasse de contestar documentos apresentados.
O juiz classificou a prática como “prompt injection”, técnica usada para manipular sistemas automatizados por meio de comandos ocultos.
De acordo com o TRT-8, a intenção seria induzir a IA a produzir uma análise incompleta do processo, comprometendo a lisura da decisão judicial.
Além da suspensão temporária, as duas advogadas responderão a processo disciplinar na OAB, que poderá resultar em punições mais severas, incluindo exclusão dos quadros da entidade.
Voz da Bahia-Foto: Valter Campanato/Agência Brasil








